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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PARADA ESTAÇÃO JOVEM

São Caetano do Sul

Projeto Skate em Ação

Dentro do tema Cultura Jovem, o esporte radical, representado aqui pelo Skate, tem tido nos últimos anos um incremento no número de adeptos. O apoio cultural, através de projetos desenvolvidos pelas prefeituras, associações e outros órgãos que constatamos nas pistas do ABC, é em grande parte responsável pelo aumento da assiduidade dos skatistas nestes “pedaços”, o que não significa que diminuiu a prática da modalidade nas ruas e praças desprovidas de normas. 
Algo peculiar que observamos neste esporte é o seu poder de integrar ao mesmo tempo, crianças, jovens e adultos, masculino e feminino, distanciando a afirmação de que os esportes radicais e a cultura jovem sejam praticados apenas por adolescentes. Cada vez mais, com o crescimento dessa prática, verificamos um sentimento de jovialidade que o skate proporciona a todos os que o praticam, inclusive os mais “tiozinhos”. Tanto é que alguns projetos destas instituições, inicialmente, limitavam a idade para alcançar apenas os jovens, porém, com a grande procura e a necessidade de inclusão de todos, tiveram que liberar geral, claro, dentro de um contexto de regras.
Ronaldo " O Nadox"
Fomos a campo, chegamos a São Caetano do Sul, a cidade de maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, no espaço Estação Jovem, onde Ronaldo dos Santos, o “Nadox”, 40 anos de idade, dos quais 32 anos no skate e seis anos no núcleo de esportes radicais, nos falou sobre os projetos referentes ao skate no município:
“O espaço já existe há 6 anos, é um complexo cultural voltado para jovens, é um centro de referência da juventude. Falando do skate, a gente tem o projeto Skate em Ação, que acontece aqui todas as sextas feiras, das 14h às 18h, e agrega por volta de 500 pessoas por mês, atletas de São Caetano do Sul e de municípios vizinhos que vêm para cá aprender um pouco do esporte de forma educativa.
Temos um carro chefe do nosso projeto de skate que é o Skate Consciente nas Escolas, que hoje agrega 30 mil alunos da rede municipal e estadual de São Caetano do Sul, levando para eles não só o skate de forma prática, mas também a parte teórica, mostrando que o mesmo é o 2º esporte mais praticado no Brasil, o 5º mais praticado no mundo e que gera um mercado bilionário. Outro projeto é a Sessão Old School, que acontece todas as segundas-feiras, das 18h às 20h, voltada para skatistas acima de 30 anos de idade.
Como o skate é um esporte de alta complexidade, que machuca, a gente tem uma enfermagem aqui no espaço. Pioneiramente, adotamos um novo projeto apresentado pelo fisioterapeuta Thiago Lopes, que é a Fisioterapia Preventiva no Skate, ao qual aderimos e está tendo uma grande absorção do público presente. Este é um trabalho que previne lesões, por meio de esclarecimentos e atividades como alongamento e fortalecimento da musculatura. Inicialmente o projeto atende a galera com mais de 30 anos.”
Projeto Skate em Ação
Relativamente à inclusão social através do skate, Nadox chama a atenção para que todos vejam este esporte de forma educativa e preventiva contra as drogas, bem como alerta para um grande mercado de trabalho que se abre:
“Hoje eu uso o skate como forma de inclusão social, para ajudar esses jovens aí, desviar um pouco o caminho que a droga está tomando conta. Então a gente tenta mostrar o esporte como uma porta para eles, para que encontrem o esporte de forma educativa e esportiva na vida.
Muitos pais têm medo, ‘meu moleque está andando de skate, ele vai ser maloqueiro’, nada disso pai. O skate está crescendo a cada dia, ele só perde para o futebol em nosso país em questão de mercado e de esporte. Hoje não assusta mais como assustava antes. Seu filho pode ser o dono de uma marca, um juiz da Confederação Brasileira de Skate, um fiscal de pista, um empresário ou trabalhar em outros segmentos que abrangem este setor.”
Caio Henzon, Alessandro Ferreira e Mayara
Saindo do papo e entrando na pista, deparamos com crianças, jovens e adultos, de ambos os sexos, se divertindo com seus skates, dividindo os espaços com uma cordialidade espontânea e generosa, um ajudando o outro. Como exemplo, podemos citar Mayara, 27, Caio Henzon, 21 e Alessandro Ferreira, 11, que pela primeira vez estavam andando juntos no Bowl, como se fossem amigos de infância. É como nos disse a Mayara: “o melhor do skate é fazer amizades.” Há apenas 2 anos e meio neste esporte, ainda aprendendo, ela fala que a ajuda e a força dos amigos é fundamental. Freqüentadora também da pista de São Bernardo do Campo as terças feiras, dia em que há um espaço especial somente para as mulheres, ela exalta a adesão da classe feminina a este esporte, que vem crescendo, derrubando preconceitos e conquistando notoriedade.
Ricardo Alves
No Vertical a cena se repetia. Cada um esperava a vez para fazer a sua session, todo mundo vai andando, respeitando o outro, todos na mesma igualdade. Entre os brothers que faziam manobras, conversamos com Ricardo Alves, 16, que desde os 8 anos pratica o esporte e já comemora algumas conquistas e patrocínio, ele tem o sonho de ser um skatista profissional: “Skate pra mim é tudo.”
Jovens na pista
Fizemos uma roda com uma galera que parou de andar para falar conosco, Thiago Santana, 34, Yan Henrique, 11, Igor Mamprim, 20, Joabe, 25, e o monitor da pista Elvis Roque.  De bem com a vida, todos falam do esporte como algo especial, prazeroso, que vem desde herança dos pais a uma válvula de escape contra o estresse e os problemas da vida real.

Na parada Estação jovem aprendemos um pouco mais deste estilo de vida e do valor de grupo que este esporte exerce. Entendemos que o seu crescimento e incentivo através de órgãos públicos, privados e patrocínios se deve a esta observância. Porém, o sucesso está nas mãos dos coordenadores e responsáveis, na sua grande maioria são profissionais do skate e apaixonados pelo que fazem, neste caso o Nadox. 



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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ITALO PEÑARRUBIA E LEONARDO RUIZ

EM BUSCA DE UM MESMO SONHO


Italo Peñarrubia e Leonardo Ruiz

Em vésperas da 2º Etapa da Copa Brasil de Skate Vertical, conseguimos entrevistar dois jovens skatistas profissionais que já participam da elite do skate vertical do Brasil. Meninos de Santo André, ABC paulista, que começaram a andar quando crianças com equipamentos amadores, sem nenhuma intenção profissional e hoje estão aí, “pau a pau” com os grandes nomes nacionais e internacionais do skate.
De volta à pista Urgh Tent Verthouse (pista da Tent Beach) em Santo André, eles relembram o começo de tudo. Preparadíssimos, os garotos deslizavam com seus skates, dando uma palinha de que iriam com tudo para a disputa do campeonato. Dito e feito.  O resultado no último sábado foi dobradinha andreense, 2º lugar Italo Peñarrubia e 1º Lugar Leonardo Ruiz. Estes são os brothers que vocês vão conhecer agora.
Conversamos primeiramente com Italo Peñarrubia, 23 anos de idade, 10 anos de skate, sendo 2 deles como atleta profissional. Tatuagens, sorriso na cara e muita humildade. Vamos lá?

SKATE IN FOCO: Por que você escolheu o skate como esporte?
“Foi nesta pista que eu iniciei a minha carreira, dei os primeiros passos, cresci para chegar aonde eu cheguei. Comecei a andar de skate porque eu morava em um prédio em frente a esta pista. Ganhei um dinheiro de dia das crianças dos meus pais, fui numa loja do shopping e comprei um skate bem tosco, assim, para iniciar. Comecei a aprender manobra, manobra, manobra, vieram marcas, campeonatos e estou até hoje aí no trabalho, cheio de vontade  de continuar até as pernas não agüentarem mais.”
         
            SKATE IN FOCO: Você teve o incentivo dos seus familiares?
            “No começo os meus pais falavam “você vai comprar um skate, vai se machucar”. É o que todos os pais falam, mas depois eles me incentivaram bastante porque a gente tem que fazer o que gosta, o que a gente faz melhor.”

SKATE IN FOCO: Muito jovem você ganhou ouro no X-GAMES. O que mudou na sua vida após esta conquista?
Italo Peñarrubia
 “Quando eu comecei a ir para o exterior, em 2008, consegui me classificar bem. Em 2010 ganhei a medalha de ouro do X-GAMES, que foi muito importante para eu perceber que não basta somente treinar, mas também acreditar. Eu estava muito confiante, até corri o campeonato com meu skate quebrado. Logo, a força de vontade e a fé falaram muito mais alto. Minha vida mudou bastante depois desta conquista, a minha cabeça, o meu modo de pensar e também a minha carreira, por conta do reconhecimento das pessoas.”

SKATE IN FOCO: Como você vê este esporte?
 “Na verdade, o skate é muito diferente dos outros esportes, a gente é muito unido. Não tem rivalidade como no surf, que os caras brigam para pegar uma onda. Tudo bem que a onda não vem toda hora mas a gente no skate fica ajudando, olhando as pessoas andarem, falando “ó, arruma o pé aqui, seu corpo...”. Então a gente é bem unido, anda com as crianças que estão começando aqui na pista e eu quero ver é isso, evolução, a nova geração crescendo e o esporte se desenvolvendo.”

SKATE IN FOCO: O que é o skate na sua vida?
 “O skate pra mim há 2 anos atrás era só uma diversão. Aí eu me profissionalizei e agora é um trabalho mas continua sendo uma diversão muito boa. Me equilibra mentalmente, me faz bem, o que me traz dinheiro, minhas amizades, skate é tudo.”

SKATE IN FOCO: Como é o seu dia a dia?
 “A gente não tem obrigação como os outros atletas, nós fazemos a nossa rotina. Eu ando 3, 4 horas por dia, quatro vezes por semana e fico treinando as linhas de campeonato para quando chegar na hora conseguir acertar, também tem os treinos acadêmicos e os cuidados relativos a uma alimentação saudável. A minha vida normal a parte eu consigo levar tranquilamente, eu pulo de pára-quedas, eu gosto de andar de kart, eu gosto de surfar.”

Italo Peñarrubia
            SKATE IN FOCO: Qual a importância dos patrocínios?
“Os patrocínios são incentivos para o atleta continuar a ter motivação, suporte, para mostrar ao mundo inteiro que no Brasil têm grandes atletas também, pois estamos sempre entre os dez primeiros classificados, inclusive na Mega Rampa.”
  
          SKATE IN FOCO: O que falta para este esporte crescer ainda mais no Brasil?
“O esporte está crescendo muito de uns três anos para cá. Grandes empresas estão entrando, como Banco do Brasil, Sedex, um monte. Para continuar este crescimento é preciso mais incentivo do governo, fazer mais pistas públicas, porque o Brasil não é mais o país do futebol, viu esse 7x1 que a gente tomou? Brasil é o país do skate, do surf, Medina aí destruindo tudo. A gente tem que fazer outros esportes crescerem juntos também.”

SKATE IN FOCO: Cite 3 curiosidades.
     ·         Além do skate, gosto bastante de mexer com comida. No futuro, quem sabe, eu faça uma faculdade de gastronomia;
     ·          Na mega rampa a gente pega 60 a 70 km\h, só que a gente ta pensando ali na manobra, porque se for pensar na velocidade você sai do foco e ahhhhh... Pode ser fatal;
     ·         As melhores pistas são a do Tony Halk, a da Tent Beach aqui onde nós estamos, em Santo André, e a do Bob Burnquist (mega rampa). Nada como andar nas melhores pistas dos melhores skatistas;

SKATE IN FOCO: Qual é o seu maior sonho como skatista?
 “O meu maior sonho como skatista é ter uma rampa no quintal, poder fazer nela o que eu quiser, a qualquer hora, filmar tudo e mostrar para o mundo. Para alcançar isto, tenho que ter fé. A fé pra mim é você acreditar, lutar, ir atrás dos seus sonhos, seus objetivos e nunca desistir.”

Leonardo Ruiz
Terminando, Italo chamou seu parceiro Leonardo Ruiz, que se divertia com o skate, para bater um papo conosco. Com o olhar firme, determinado, o jovem de 20 anos que há um ano e meio mora na Califórnia, o berço do skate, nos contou um pouco da sua história e dos seus sonhos:

SKATE IN FOCO: Como foi o seu começo no skate?
“Comecei justamente nesta pista, aqui é um celeiro de grandes skatistas. Eu tinha 11 anos e aprendi a andar com um skate do Carrefour que minha mãe me deu.”

SKATE IN FOCO: O que é o skate na sua vida?
“Skate para mim é tudo, eu acordo todo dia pensando em skate, durmo todo dia pensando em skate, ainda mais agora que eu passei para profissional. Comecei a ter mais responsabilidades do que eu tinha antes e agora a minha vida está mais ainda skate, skate e skate.”         

Leonardo Ruiz
SKATE IN FOCO: Qual é o seu maior sonho como skatista?
“Meu sonho como skatista é ter o meu Skate Park. Poder sempre estar evoluindo meu nível, fazendo coisas boas para o esporte e, como todo mundo, viver do skate, fazer dele o meu trabalho. Graças a Deus já está acontecendo e espero dar continuidade em tudo isso.”

Agora sim, chegou à hora da diversão. Os meninos de Santo André pegam seus skates, sobem a escada da rampa e vão fazer o que mais gostam: voar alto em busca de um mesmo sonho.



Skate é vida! Venha dar mais uma volta quarta feira neste blog!

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O SKATE É A MINHA VIDA

Manobra de Marcio Garrido-  Pista de São Bernardo do Campo

Entramos no universo do skateboard com o objetivo de conhecer melhor esse esporte e o estilo de vida de seus atletas. Sabemos que o skate é originariamente um esporte de rua, que com o seu crescimento conquistou espaços públicos normatizados (pistas), também chamados de “pedaços” por alguns estudiosos que se baseiam na tese proposta por Magnani (Festa no pedaço: cultura popular e lazer na cidade-1984), que sugere:

“o espaço intermediário entre o privado (a casa) e o público, onde se desenvolve uma sociabilidade básica, mais ampla que a fundada nos laços familiares, porém mais densa, significativa e estável que as relações formais e individualizadas impostas pela sociedade.”

Para chegarmos bem perto da realidade do dia a dia dos skatistas, fomos a campo, entramos nestes “pedaços” e entrevistamos algumas personalidades, conseguindo informações importantes, com depoimentos reveladores de valores, comportamentos, símbolos, normas. Uma chuva de emoções captadas em suas histórias de vida com este esporte radical.
Beto Radical ( Limpa Trilho)

Beto Radical (o Limpa Trilho), quem entra na Pista de São Bernardo do Campo, as terças feiras, dá de cara com esse brother cercado de crianças e adolescentes. Aos 50 anos de idade e 34 de skate, ele viveu e vive grandes fases deste esporte no Brasil, podendo falar com autoridade sobre o dia a dia de um skatista. Pira só no que ele diz sobre:

- Preconceito: “Hoje em dia a criança que quer fazer skate, ela vai fazer o esporte. Antigamente, qualquer um que andava de skate era um marginal. Nós aqui, skatistas, a gente apanhava quase todo dia, quase todo dia tomava umas borrachadas dos caras [polícia]. Hoje, os pais acompanham os filhos aqui, incentivam a prática do esporte.”
- Exibicionismo: “Todo mundo no skate é exibicionista. Eu sou exibido. A nova geração é pior. Não adianta explicar para a nova geração que algo não pode. Você pode vir com a explicação mais lógica do planeta, mas mesmo assim você não está certo. A cabeça com esta questão humildade diminuiu um pouco mais. Antigamente, a gente era marrudo igual, não éramos diferentes, só que pelo menos a gente admitia. Por exemplo, se você chamar algum moleque para fazer umas fotos de manobras, ele vai correndo. E outra, tem gente que anda e nem sabe por quê. Só percebe adrenalina quem está para o esporte e não para o exibicionismo.
Jovens na Pista de São Bernardo do Campo.
- Atração do jovem: “O que atrai o jovem é uma questão muito interessante. As meninas são atraídas por conta do equilíbrio que o esporte proporciona, tem às vezes um rapazinho arrumadinho, que é no jeito. Elas chamam as amigas e atendem um apelo visual. Já os meninos, pode ter certeza, é mulher. Então o que acontece, esses moleques adoravam dominar o equilíbrio, era até uma falta de respeito falar para eles usarem um capacete, uma luva. Skate grande, de 40 polegadas, era coisa de vovô. Até que as meninas começaram a andar de skate de 40 polegadas, e aí adivinha o que aconteceu?
- SKATE como meio de vida: “Existem dois tipos de skatistas profissionais: o profissional do skate e o skatista profissional. Profissionais de skate como a gente sofre muito, ou a gente tem que trabalhar ligado ao governo ou a gente tem uma marca, que é o meu caso. Nós temos uma grande quantidade de skatistas profissionais no Brasil, porém, uma pequena minoria tem salário fixo mensal, como o Bob Burnquist e Sandro Dias. Quando se fala em skatistas profissionais, logo se pensa em marcas e patrocínios. Isto é um lance muito complexo. Os atletas iniciantes patrocinados, por exemplo, não ganham um dinheiro X por mês e sim produtos, roupas, peças de skate e, na maioria das vezes, vendem e trocam tudo isso para conseguir dinheiro para poder sobreviver.
            - Drogas: “A maioria dos atletas das antigas provaram uma droguinha. Hoje, os garotos que passam pelas nossas mãos são ensinados a não usar, porque no skate você acha que está pronto sem estar, bem novinho. O aprendizado motor, o aprendizado físico é uma coisa, mas tem o psicológico, que corresponde a mais de 60% no skate e é mais importante do que qualquer coisa.”
          
            - A emoção: “Skate é minha vida. Eu fiz engenharia, não me formei e vivi o skate, vivi boardsport. Todo mundo vive um amor incondicional. Eu adoro skate, é uma cultura, eu a adoro, mas eu sou um profissional. E um profissional não pode ter um pensamento fechado, não pode discriminar. Ele tem que receber críticas e receber também os outros esportes relacionados ao dele. Então tudo que tem prancha eu pratico. Essa é a minha emoção, mexer com todos, não só com um".
            
              Do papo para a pista. Tivemos a oportunidade de acompanhar uma etapa do Circuito Paulista de Mountainboard, uma das ramificações do esporte, onde observamos algumas características do comportamento dos atletas e do público que assistia ao evento.
           No início da competição vimos que a platéia que acompanhava o torneio, em sua maioria, não torcia por um atleta especificamente, pois vibrava, gritava e aplaudia todos os participantes durante suas apresentações, com expressões e linguagens próprias que pareciam ensaiadas, como Yeah!, Urrul! e uoou!, inclusive entoando os nomes das manobras feitas, demonstrando conhecimento do esporte.
Enquanto as exibições rolavam, os DJs ritmavam as apresentações com Hip Hop, Rap, Hardcore e Blues, que animavam as disputas e levantavam a galera.
Ao contrário das vestimentas tradicionais da modalidade street skate, que são calças largas com os fundilhos quase até os joelhos, camisetas larguíssimas, bonés grandes e coloridos, no Mountainboard a maioria dos participantes utilizava jeans, bermudas e camisetas normais. No final da competição ficavam todas da mesma cor: marrom dos “rola” na terra.
Dentre os competidores, uma universitária, Laís Morimoto, que arrasou em sua apresentação disputando com homens. Ela é a cara do espaço que as mulheres estão ganhando no mundo dos esportes radicais, quebrando preconceitos e mudando comportamentos como a aceitação masculina e a inclusão feminina, tendo representado o Brasil na Europa em campeonatos.
No final do evento, observamos que o resultado era uma mera conseqüência da disputa, pois o que estava valendo mesmo era a alegria, diversão e a participação de todos os brothers. Que emoção é essa, que gosto é esse? Abaixo seguem três relatos de atletas que tentam nos responder, a começar pelo Assef Ribeiro, atleta de Vinhedo SP:

 
Assef Ribeiro


 “A sensação de estar andando de Mountainboard é semelhante à de outros esportes de prancha que eu pratico: é a sensação de autodesafiar-se, se superar, de reconhecer seus limites, e a diversão também, pois a gente fica satisfeito quando imagina uma manobra, vai lá e acerta.”




Laís Morimoto










Laís Morimoto: “Além de uma atividade física que traz benefícios para o corpo, é uma coisa que faz muito bem para a mente, a adrenalina é muito grande, mesmo os atletas, é como se fosse uma família, as pessoas são muito abertas, todos te recebem muito bem, não só aqui, mas no mundo inteiro.” 




Marcio Garrido








Márcio Garrido: “Meu, não tem como explicar, é só andando para saber mesmo. É um esporte que vale muito a pena e é por isso que está crescendo cada vez mais no Brasil.”







Tirando os pés da tábua e os colocando no chão, observamos que por meio de elementos simbólicos os skatistas expressam um estilo de vida, um comportamento. As manifestações podem ser vistas nas tatuagens, roupas estilizadas e na música, a exemplo de Skate Vibration, da banda Charlie Brown JR.
Quedas, manobras, emoções. Sobrou para essa galera do skate muita criatividade, improviso e talvez o que mais impulsiona tal aventura seja um encontro com o imprevisto, conforme define Pociello (Os desafios da leveza: as práticas corporais em mutação-1995):

“Poder-se-á brincar de sentir medo no ar e no mar, sobre a onda ou sobre o rochedo, nas subidas ou nas descidas, no vazio que beira a catástrofe, de forma a experimentar realmente as sensações excitantes dos sonhos de vôo, ou saborear essa dinâmica mais modesta do salto.”


Quarta feira quem vem tem mais uma “session” neste blog! Participe das nossas próximas manobras!

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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Era uma vez uma prancha e quatro rodas...


      Tudo é muito intenso neste esporte que em poucos anos conquistou um espaço privilegiado na cultura jovem do Brasil e do mundo, vencendo preconceitos e criando raízes apesar de proporcionar altos riscos de acidentes.
Sua história é contada pela boca dos skatistas que aumentam ou até criam versões novas de acordo com suas paixões, cuja verdade não se discute, vai se somando.
Nasceu do patins e da prancha entre os anos 50 e 60, no reinado do surf, na Califórnia. Os surfistas enquanto aguardavam ondas boas, pegaram as rodas de seus patins, e colocaram em shapes, assim, surfando em terra firme.
Skate
O arranque do skate no Brasil ocorreu a partir da década de 70 no Rio de Janeiro e São Paulo com a construção de pistas e organização das primeiras competições.
Do auge, veio à morte súbita no final da década de 70, por conta da revista Skateboarder que deixou de dar cobertura e apoio ao skate para patrocinar “bike”. Isto provocou uma verdadeira crise, com o fechamento de pistas, o fim de patrocínios e o abandono de atletas.
        O skate voltou à tona com toda força nos anos 80 com a modalidade street e as pistas verticais. Daí para frente conquistou o seu lugar definitivamente como um grande esporte.
Visto com bons olhos pelas indústrias e mídias, esta nova fase do skate nacional, impulsionou a volta de patrocínios e a fabricação de produtos “made in Brasil” e de boa qualidade tecnológica para a prática do esporte.  
Apesar dessa evolução e de grandes nomes no skate brasileiro, com conquistas nacionais e internacionais, poucos atletas profissionais conseguem viver do esporte, tendo muitas vezes que conciliar outras funções, como professor, orientador, fotógrafo e etc.
Skate de Dedo

Do skate no pé ao skate de dedo, podemos ver a paixão que desperta em seus atletas, sempre criando novas manobras quando não estão atrás de evoluir em outras ramificações, como o mountainboard. Este misto de prazer e diversão fez o skate vencer varias dificuldades e ser o hoje a quinta modalidade esportiva mais praticada no mundo.
Mountainboard


        Nos encontramos na próxima quarta feira, nesta mesma pista! Aguarde a nossa volta radical para saber mais sobre o estilo de vida e comportamento do skatista.



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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Na Rua, Na pista e no Coração


Se você perguntar qual é o esporte mais praticado no Brasil, todo mundo vai responder futebol. Porém, se você perguntar qual é o segundo mais praticado, muita gente não vai saber responder, porque não está nas mídias com a mesma intensidade que está nas ruas e pistas. Quem é ele? O skate.
Para quem vê de fora, este é um  esporte individual realizado em uma prancha, com quatro rodas pequenas e dois eixos, que consiste em um atleta deslizar sobre o solo e obstáculos, cujas manobras podem apresentar baixo e alto grau de dificuldade.
Para quem pratica skate, ele é muito mais do que um esporte: é locomoção, fazer amigos, conhecer lugares, desligar de problemas, formar grupos (tribos), e é claro, se divertir. Assim, mais que um esporte, é um estilo de vida, com roupas, gírias e costumes próprios. Nem mesmo ossos e dentes quebrados podem impedir novos desafios radicais.
Visto como uma cultura juvenil, com origem nas ruas, o skate tem se deslocado para as pistas, porém, independentemente do espaço utilizado para sua prática, permanece o exercício de valores, significados e regras. 
O crescimento do skate nos últimos anos, impulsionado por maiores invertimentos, patrocínios e grandes feitos de atletas como Bob Burnquist e Sandro Dias (mineirinho), mudou o olhar da sociedade brasileira para o esporte, que no início era visto como "coisa" de vândalos, vagabundos e usuários de drogas. Hoje é praticado por crianças, adolescentes e adultos, pessoas de todas as idades e classes sociais, inclusive com incentivo de órgãos públicos.
A região do ABC, principalmente as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, é o point dos principais skatistas brasileiros. A Pista da Juventude, que fica em São Bernardo, é a maior da América Latina e a segunda no ranking mundial. Perfeita! Uma tarde nesta pista dá gosto de ver. Crianças deslizando, jovens voando alto e adultos se desligando do mundo.
(Eduardo Braz)
Nós somos o grupo Under Control e estaremos aqui todas as quartas-feiras para falar com vocês um pouco mais do universo do skate, então até o próximo rolê, ou melhor, post!  Iremos contar sobre a história, origem e legado do skate, aguardem!

O Under Control adverte: equipamentos de segurança como capacete e joelheira são de extrema importância, não se esqueçam! 


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